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Novo tarifaço dos EUA de 25% preocupa indústria e ameaça exportações do Brasil

CNI aponta queda de 13% nas vendas ao mercado americano e alerta que nova taxa pode agravar perdas em quase todos os estados brasileiros.

O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite de 15 de julho, uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que se soma ao tarifaço de 50% já em vigor desde agosto do ano passado sobre boa parte dos bens do país. A decisão gerou reação imediata do governo brasileiro e acendeu um alerta da Confederação Nacional da Indústria sobre o impacto nas exportações nacionais. A notícia chega a um público mais amplo carregando uma pergunta direta: afinal, por que os Estados Unidos voltaram a taxar produtos brasileiros e o que isso muda, na prática, para empresas e trabalhadores espalhados pelo país. Entender a origem da nova tarifa, a reação do Itamaraty e os números levantados pela indústria ajuda a dimensionar o alcance real da medida.

O que motivou a nova tarifa de 25% sobre o Brasil

A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, depois que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, concluiu uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana contra o Brasil. O documento final da investigação listou como alvos temas como o sistema de pagamentos Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões do USTR aponta que o Brasil adotaria políticas que favorecem o Pix e colocariam empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos em desvantagem, argumento rebatido pelo governo brasileiro nos dias seguintes ao anúncio.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em pronunciamento no Palácio do Itamaraty, no dia 16 de julho, que os Estados Unidos aplicaram a tarifa porque o Brasil não se curvou às pretensões da Casa Branca durante as negociações. Segundo Vieira, o governo americano teria exigido a abertura total e exclusiva de setores inteiros da economia brasileira aos Estados Unidos, sem qualquer contrapartida para os produtos do país, o que o chanceler classificou como uma tentativa de capitulação. O ministro também informou que o Brasil manteve mais de 30 reuniões com representantes da Casa Branca desde março de 2025, incluindo 11 contatos apenas com o secretário de Estado americano e o representante comercial dos Estados Unidos, sem que isso resultasse em um acordo capaz de evitar a nova sobretaxa.

Como a indústria brasileira avalia o impacto da medida

A Confederação Nacional da Indústria classificou o anúncio como motivo de extrema preocupação e divulgou, ainda na noite de 15 de julho, um levantamento sobre os efeitos das tarifas americanas em vigor desde o ano passado. Segundo a entidade, as exportações brasileiras para o mercado americano já haviam caído 13%, o equivalente a 2,6 bilhões de dólares, puxadas principalmente por uma redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, com destaque para produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.

O levantamento da CNI também mostrou que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026 em comparação com igual período do ano anterior, um sinal de que os efeitos do tarifaço já se espalham por praticamente todas as regiões do país e atingem cadeias produtivas diversas, da siderurgia à celulose. Entre os estados com maior participação de exportações destinadas aos EUA no período estão Sergipe, Ceará, Espírito Santo e São Paulo, que juntos venderam 7,8 bilhões de dólares ao mercado americano apenas no primeiro semestre. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a nova tarifa tende a piorar esse cenário e corroer ainda mais a competitividade da indústria nacional, defendendo esforços para recompor a relação comercial entre os dois países.

Por que esse tarifaço interessa também ao interior do país

Embora o noticiário sobre tarifas costume se concentrar nos grandes polos exportadores do litoral e do Sudeste, o levantamento da CNI mostra que a desaceleração das vendas aos Estados Unidos não se limita a esses centros, atingindo também estados do interior com participação menor, mas relevante, no comércio exterior. Isso ajuda a explicar por que o tema tem repercussão direta em regiões produtoras do Centro-Oeste, cujas cadeias industriais e agroindustriais dependem, em graus variados, de insumos e de mercados ligados ao comércio exterior, mesmo quando a exportação direta para os Estados Unidos não é o principal destino da produção local.

O episódio também reacende a discussão sobre a origem política do primeiro tarifaço, de 50%, aplicado em agosto de 2025. Segundo o próprio Mauro Vieira, aquela medida teria sido motivada pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o que já havia gerado questionamentos sobre até que ponto decisões comerciais dos Estados Unidos estariam entrelaçadas a disputas políticas internas do Brasil. A retomada desse argumento pelo governo brasileiro para explicar o novo tarifaço de 25% sugere que o imbróglio comercial entre os dois países deve seguir por mais tempo sem uma solução definitiva.

O impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos segue, portanto, sem data para ser resolvido, com o governo brasileiro sinalizando disposição para adotar instrumentos de reciprocidade e a indústria nacional pedindo esforços para reverter as perdas já registradas. Para empresas exportadoras, o cenário reforça a necessidade de diversificar mercados e reduzir a dependência do comércio com os Estados Unidos, enquanto o desfecho das negociações diplomáticas ainda depende de decisões que envolvem tanto Brasília quanto Washington.

Fontes consultadas: https://www.dgabc.com.br/Noticia/4335660/mauro-vieira-diz-que-eua-aplicaram-tarifas-porque-brasil-nao-se-curvou-a-investidas-de-trump https://br.investing.com/news/politics-news/incomodo-dos-eua-e-por-brasil-nao-ter-se-curvado-diz-mauro-vieira-2004691 https://cbic.org.br/cni-tarifa-adicional-de-25-dos-eua-prejudica-competitividade-brasileira-e-ameaca-exportacoes/

Diego Velázquez

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