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Cidade de Goiás volta a ser capital simbólica do Estado nos 299 anos do município

Tradição de mais de quatro décadas leva os três Poderes estaduais à antiga capital em cerimônia realizada nesta semana de julho.

A Cidade de Goiás voltou a sediar, de forma simbólica, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do estado nesta segunda-feira, 20 de julho, em uma cerimônia que integra as comemorações dos 299 anos do município. A solenidade, realizada em frente ao Palácio Conde dos Arcos, reacende todos os anos uma dúvida entre quem acompanha a política goiana de fora do circuito institucional: por que Goiás mantém viva essa tradição de transferir simbolicamente sua capital para uma cidade que deixou de exercer essa função administrativa há mais de nove décadas. A resposta passa pela história da fundação do estado, pela legislação que criou o rito e pela programação que se estende até esta terça-feira, 21 de julho, reunindo autoridades estaduais, entidades de classe e representantes do Judiciário e do Ministério Público.

Por que a Cidade de Goiás recebe os Poderes todos os anos

A designação da Cidade de Goiás como capital simbólica do estado está prevista na Lei Estadual nº 9.314, de 21 de junho de 1983. A norma determina que, todos os anos, na semana que compreende o dia 25 de julho, data de aniversário do município, os Poderes estaduais funcionem de forma simbólica na antiga capital. A medida nasceu como forma de preservar a memória política e administrativa de Goiás, já que a Cidade de Goiás foi a primeira capital do estado e permaneceu nessa condição até 1933, quando a sede administrativa foi transferida para a então recém-planejada Goiânia. O município é hoje reconhecido como patrimônio histórico nacional, o que reforça o peso simbólico da cerimônia para autoridades e para a população local.

Em 2026, um decreto assinado pelo governador Daniel Vilela (MDB), de número 10.935 e datado de 23 de junho, definiu que a sede simbólica do Poder Executivo funcionaria na Cidade de Goiás no dia 20 de julho, uma segunda-feira, e transferiu para essa mesma data o feriado municipal originalmente celebrado em 25 de julho. Segundo o governo estadual, a mudança teve como objetivo ampliar a participação de autoridades, instituições e da própria população nas solenidades oficiais, concentrando os atos em dias úteis e no início da semana.

Como foi a programação deste ano

A programação teve início às 17h30 de segunda-feira com a cerimônia de instalação simbólica dos três Poderes, realizada em frente ao Palácio Conde dos Arcos, antiga sede do governo estadual. O ato contou com desfile da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, seguido da assinatura do termo de transferência pelos representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de pronunciamentos oficiais e recepção às autoridades presentes. A Assembleia Legislativa de Goiás, cujo presidente é o deputado Bruno Peixoto (União Brasil), participou ativamente das solenidades, dando continuidade a uma tradição que a própria Casa descreve como forma de reforçar o diálogo entre o Legislativo estadual e o interior do estado.

Nesta terça-feira, 21 de julho, a programação inclui visitas institucionais ao longo do dia a órgãos como o Poder Judiciário, o Ministério Público de Goiás, a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás e as obras de construção da nova sede da Vara do Trabalho no município, além da instalação da Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás na cidade. Ao fim do dia, está prevista a entrega da Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera, uma das principais honrarias do calendário cívico goiano, seguida de pronunciamentos oficiais e de um coquetel oferecido às autoridades e convidados presentes.

O que essa tradição representa para Goiás hoje

Para além do calendário protocolar, a Transferência da Capital carrega um significado que vai além da simples repetição de um rito administrativo. A cerimônia funciona como vitrine da história política do estado, relembrando o papel da Cidade de Goiás na construção da identidade goiana desde o período colonial, quando a região era conhecida como Vila Boa. A presença de autoridades de diferentes Poderes na mesma programação também sinaliza, segundo organizadores do evento, um esforço de aproximação institucional que extrapola a disputa político-partidária, já que a data reúne representantes de correntes distintas em torno de uma mesma homenagem.

A edição de 2026 ocorre às vésperas de a cidade completar 300 anos, o que deve aumentar a expectativa em torno da programação do próximo aniversário. Moradores e visitantes que acompanham o evento também têm a oportunidade de conhecer de perto o patrimônio arquitetônico da cidade, incluindo o próprio Palácio Conde dos Arcos e o Museu das Bandeiras, o que tende a favorecer o fluxo turístico local durante a semana da celebração.

A tradição da Transferência da Capital segue, assim, cumprindo dois papéis ao mesmo tempo: o de homenagem cívica ao município que deu origem à administração goiana e o de vitrine turística e histórica para quem visita a região durante o período. A expectativa de autoridades estaduais é que a proximidade do tricentenário, em 2027, amplie ainda mais a dimensão da cerimônia nos próximos anos, com maior participação de visitantes e de entidades ligadas à preservação do patrimônio histórico de Goiás.

Fontes consultadas: https://portal.al.go.leg.br/noticias/166665/transferencia-da-capital-para-a-cidade-de-goias-mobiliza-autoridades-e-tera-programacao-oficial-entre-os-dias-20-e-22-de-julho https://revistafactual.com.br/cidades/2026/07/20/estado-celebra-299-anos-da-cidade-de-goias-com-transferencia-simbolica-da-capital-veja-programacao/ https://sdnews.com.br/noticia/16460/cidade-de-goias-se-torna-simbolicamente-a-capital-do-estado.html

Diego Velázquez

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