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Amazônia Legal prepara moradores para atuar na manutenção de sistemas de energia

Vista aérea de uma comunidade amazônica com painéis solares instalados nos telhados, cercada por áreas verdes.

Moradores de comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas da Amazônia Legal serão preparados para atuar na operação, no monitoramento e na manutenção de sistemas de energia instalados em áreas remotas. A iniciativa foi formalizada em 30 de setembro de 2026, com um acordo de cooperação entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Instituto Conexão Povos da Floresta (ICPF) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte (SENAI-RN).

O projeto prevê a formação gratuita e a certificação de moradores dos próprios territórios como Agentes Comunitários de Energia. A proposta é ampliar a autonomia local e reduzir a dependência de deslocamentos de equipes especializadas, que podem enfrentar longas distâncias e dificuldades logísticas para atender comunidades isoladas quando ocorre uma falha.

Formação será adaptada à realidade das comunidades

Segundo a ANEEL, a capacitação terá metodologia e materiais ajustados às características dos territórios atendidos. O objetivo é oferecer conhecimento para que os agentes identifiquem riscos, acompanhem o funcionamento dos equipamentos, realizem procedimentos compatíveis com sua formação e acionem os canais adequados de suporte quando necessário.

A atuação dos moradores não substitui as responsabilidades técnicas e regulatórias das empresas ou das equipes habilitadas. A formação busca criar uma estrutura de apoio local, capaz de reconhecer problemas com mais rapidez e contribuir para a continuidade do serviço. Em regiões onde o acesso depende de rios, estradas de difícil circulação ou longos deslocamentos, essa resposta inicial pode ser especialmente relevante para evitar que pequenos problemas se transformem em interrupções prolongadas.

O SENAI-RN ficará responsável por parte importante da execução educacional. De acordo com o SENAI-RN, a experiência-piloto no Amapá já envolveu integrantes de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas em atividades voltadas à gestão, à operação e à manutenção segura de sistemas fotovoltaicos fora da rede convencional.

Experiência no Amapá utiliza sistemas fotovoltaicos

A formação-piloto combina aulas teóricas e práticas e inclui certificação profissional. O foco está em sistemas fotovoltaicos off-grid, modelo utilizado em locais que não estão conectados à rede elétrica convencional. Nesses casos, a geração e o armazenamento de energia precisam ser acompanhados de forma próxima para que os equipamentos funcionem de maneira segura e regular.

A escolha de moradores das próprias comunidades também considera o conhecimento que eles têm sobre a rotina, as necessidades e as condições de acesso de cada localidade. Com pessoas capacitadas no território, a identificação de falhas pode ocorrer antes da chegada de equipes externas, enquanto situações que exigem atendimento especializado podem ser comunicadas pelos canais apropriados.

Projeto integra Sandbox Regulatório Energias da Floresta

O acordo dá continuidade ao Sandbox Regulatório Energias da Floresta, iniciativa criada pela ANEEL para testar soluções voltadas à universalização do acesso à energia elétrica em áreas remotas da Amazônia Legal. O experimento avalia alternativas para levar eletricidade a populações isoladas por meio de modelos descentralizados de geração e armazenamento.

Entre as possibilidades analisadas estão instalações solares que funcionam sem conexão com a rede tradicional. A estratégia permite considerar as características geográficas de comunidades onde a expansão da infraestrutura convencional pode ser mais complexa, cara ou demorada. Nesse contexto, a capacitação de agentes locais aparece como uma frente complementar à implantação dos sistemas.

A ANEEL informou que acompanhará a execução do projeto e avaliará os resultados obtidos. Esse acompanhamento poderá contribuir para aperfeiçoamentos regulatórios e para a análise de novas formas de atendimento energético em territórios remotos. A descrição oficial do Sandbox Regulatório Energias da Floresta aponta a busca por soluções capazes de ampliar o acesso à eletricidade em comunidades isoladas.

Autonomia energética depende de capacitação e manutenção

Para além da instalação de painéis solares e baterias, a continuidade do fornecimento depende de acompanhamento, uso adequado e manutenção. Em locais distantes dos centros urbanos, a ausência de assistência técnica próxima pode comprometer os benefícios de um sistema mesmo quando os equipamentos estão disponíveis.

A formação de Agentes Comunitários de Energia pretende enfrentar parte desse desafio com conhecimento distribuído dentro das próprias comunidades. O resultado esperado é uma operação mais próxima da realidade local, com maior capacidade de resposta e integração entre moradores, instituições responsáveis e equipes técnicas. A iniciativa, no entanto, ainda será acompanhada pela ANEEL antes de eventual ampliação ou aperfeiçoamento do modelo.

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