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Um café aberto em 1763 guarda uma das receitas mais conhecidas de Torino, e Antonella Giancoli explica por que a Benarrivati inclui a tradição do chocolate nos roteiros pela cidade

Antonella Amaral GiancoliAntonella Amaral Giancoli

Cioccolaterias históricas, o bicerin e o gianduiotto ajudam a contar por que Torino construiu, ao longo de séculos, uma relação tão estreita com o chocolate

Em Torino, café e chocolate dividem o mesmo copo em uma bebida que se tornou um dos símbolos da cidade. O Caffè Al Bicerin abriu em 1763 diante do Santuario della Consolata e deu nome ao bicerin, combinação de café, chocolate e creme de leite cuja receita exata continua mantida em segredo pela casa.

A data de abertura do café, porém, não deve ser confundida com a criação da receita tal como é servida hoje. O bicerin surgiu como evolução da bavareisa, bebida setecentista feita com café, chocolate, leite e xarope. Já no século XIX, os ingredientes passaram a ser reunidos no mesmo copo, até que a versão com café, chocolate e creme se consolidou.

Antonella Giancoli, responsável pela curadoria italiana da Benarrivati, inclui essa tradição nos roteiros por Torino porque ela permite conhecer a cidade também por uma cultura de cafés e cioccolaterias que atravessou diferentes períodos de sua história.

Uma bebida que virou símbolo de Torino

O bicerin deve o nome aos pequenos copos usados para servi-lo. A preparação combina diferentes temperaturas, texturas e densidades, e a tradição recomenda bebê-la sem misturar as camadas, permitindo que café, chocolate e creme se encontrem diretamente no paladar.

Em 2001, a bebida foi reconhecida oficialmente como produto tradicional do Piemonte. O endereço histórico onde se tornou conhecida preserva ainda parte da aparência adquirida no século XIX, com mesas de mármore, revestimentos de madeira e elementos ligados à antiga tradição dos cafés torineses.

Para Antonella, esse tipo de parada ganha interesse quando a degustação vem acompanhada da história que explica por que café e chocolate ocupam um espaço tão particular na cultura local.

“Em Torino, o chocolate não aparece apenas como sobremesa. Ele está ligado aos cafés históricos, aos costumes da cidade e a receitas que atravessaram gerações. Quando a família entende essa história antes de provar um bicerin ou um gianduiotto, a degustação passa a fazer parte da própria leitura de Torino”, explica Antonella Giancoli.

O gianduiotto nasceu no século XIX

Outro capítulo decisivo dessa relação surgiu em 1865. Foi em Torino que o gianduiotto nasceu oficialmente, produzido a partir de uma pasta que combina cacau, açúcar e avelãs piemontesas. A criação é associada ao chocolatier Michele Prochet e à empresa Prochet Gay e C., que funcionava na Piazza San Carlo.

O formato lembra uma pequena embarcação invertida, e o nome vem de Gianduja, personagem tradicional do carnaval piemontês. A especialidade se tornaria um dos produtos mais associados à confeitaria da cidade e ajudaria a consolidar Torino como referência italiana na produção de chocolate.

A tradição não ficou restrita ao gianduiotto. Ao longo do século XIX e das décadas seguintes, cafés, confeitarias e fabricantes transformaram Torino em um importante centro de produção e consumo de chocolate, criando outras especialidades que continuam presentes nas vitrines da cidade.

Uma história que continua nos cafés e cioccolaterias

Hoje, percorrer essa tradição significa alternar endereços históricos e produtores contemporâneos, observando como receitas surgidas em momentos diferentes continuam convivendo na mesma cidade.

Nos roteiros da Benarrivati, Antonella Giancoli trata essas paradas menos como uma sequência de degustações e mais como uma forma de acompanhar a própria evolução de Torino. O bicerin remete à cultura dos cafés do século XVIII e XIX; o gianduiotto, ao desenvolvimento da produção de chocolate no século XIX.

Juntos, eles ajudam a explicar por que Torino continua sendo apresentada pelo próprio turismo local como a capital italiana do chocolate. Mais do que uma fama construída em torno de um único produto, essa relação aparece em receitas, estabelecimentos históricos e hábitos que permanecem incorporados à vida cotidiana da cidade.

Sobre a Benarrivati

Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.

Gerard Montier

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