Tecnologia

Quando a IA deixa de ser tendência e vira infraestrutura: o que muda para empresas e trabalhadores em 2026

Do hype à maturidade operacional: especialistas e relatórios da Deloitte e Stanford mostram que a inteligência artificial passa a funcionar como eletricidade dentro das organizações

Depois de anos em que a inteligência artificial ocupou o lugar de promessa do futuro, 2026 marca uma virada de perspectiva. Pesquisadores do Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence indicam que 2026 não deve ser o ano da inteligência artificial geral, mas pode marcar um ponto de virada decisivo: quando a IA deixa de ser tratada como tendência e passa a funcionar como infraestrutura invisível da economia digital. Essa transição tem consequências práticas para empresas de todos os tamanhos e para os trabalhadores que convivem diariamente com sistemas cada vez mais automatizados. TechTudo

A mudança de postura é visível nos dados. Relatórios da UNCTAD projetam que o mercado global de IA deve atingir US$ 4,8 trilhões até 2033. No Brasil, um estudo da IBM revelou que 78% das empresas nacionais planejavam ampliar seus investimentos em IA. Esses números colocam o país em um momento de escolha: ou acelera a formação de profissionais e o desenvolvimento de infraestrutura própria, ou continua dependendo de tecnologia importada em condições cada vez mais onerosas, especialmente diante de um cenário geopolítico que torna semicondutores e chips avançados ativos estratégicos disputados entre as grandes potências. Alura

O que a Deloitte projeta para o setor

O estudo da Deloitte sobre o setor de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações afirma que a distância entre promessa e realidade começará a diminuir, impulsionada por avanços menos glamorosos em fundamentos como higienização de dados, governança, integração com fluxos de trabalho e conformidade regulatória. Em termos práticos, isso significa que as empresas que apostaram em projetos de IA sem resolver seus problemas de qualidade de dados e gestão interna terão dificuldades para escalar os resultados. A IA não funciona como uma solução mágica: ela amplifica o que já existe, tanto os acertos quanto as falhas nos processos. Claro

Entre as projeções mais concretas do estudo, agentes autônomos de IA, softwares capazes de executar tarefas de ponta a ponta, avançam para um mercado estimado em US$ 8,5 bilhões em 2026, podendo alcançar US$ 35 bilhões nos próximos anos. Até 2026, dois terços de toda a capacidade computacional dedicada à IA serão usados para inferência, apoiados por chips de alta performance avaliados em mais de US$ 200 bilhões. O volume de investimento em infraestrutura física, data centers, energia e refrigeração, é um reflexo direto de que a IA deixou de ser uma aposta experimental para se tornar uma aposta de capital intensivo. Claro

Os riscos: deepfakes, desinformação e reestruturação do trabalho

A maturidade da tecnologia traz consigo desafios que vão muito além da gestão empresarial. Em 2026, qualquer pessoa pode ser clonada digitalmente em minutos. O desafio não é mais identificar o que é falso, mas provar o que é verdadeiro. Casos de extorsão com voz clonada, golpes financeiros usando imagem manipulada e falsificação de documentos digitais devem crescer significativamente. Para as empresas goianas, muitas delas de porte médio sem estrutura robusta de segurança digital, esse cenário exige atenção redobrada às políticas de verificação de identidade e proteção de dados. Jornaldobras

No mercado de trabalho, a lógica da substituição dá lugar a uma discussão mais matizada. Com a popularização da IA, questões como privacidade de dados, viés algorítmico, segurança cibernética e uso indevido de sistemas inteligentes passam a ser discutidas não apenas por especialistas, mas também por governos e pela sociedade civil. Empresas que adotarem práticas responsáveis de governança de IA, com auditorias, explicabilidade e políticas de uso ético, devem ganhar vantagem competitiva. Em outras palavras, o uso irresponsável da tecnologia não é apenas um risco ético: é um risco de negócio. TechTudo

Brasil e o desafio de não ficar para trás

O Brasil está se posicionando com um Plano Brasileiro de Inteligência Artificial que prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. No entanto, frente ao cenário global, ainda enfrenta o desafio de desenvolver tecnologia própria e reduzir a dependência, especialmente diante de novas tarifas de importação de tecnologia. Para Goiás, onde o agronegócio e a logística já utilizam soluções de automação e monitoramento baseadas em IA, a questão não é mais se adotar a tecnologia, mas com que velocidade e com qual estrutura de governança isso acontecerá. Alura

O que 2026 deixa claro é que as empresas e governos que ainda tratam a inteligência artificial como projeto piloto correm o risco de perder um ciclo inteiro de competitividade. A tecnologia que processa dados agrícolas, otimiza rotas logísticas, analisa exames médicos e orienta decisões jurídicas já não é uma curiosidade acadêmica. É uma camada de operação que, silenciosamente, determina quem produz mais, quem atende melhor e quem ganha mais dinheiro. A diferença entre os que lideram e os que ficam para trás será medida menos em acesso à tecnologia do que na capacidade de entendê-la, governá-la e integrá-la com responsabilidade aos processos existentes.

Fontes: TechTudo | Alura | Deloitte via Próximo Nível

Diego Velázquez

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