O Ceia-UFG, considerado um dos maiores centros de pesquisa aplicada em IA da América Latina, abriu suas portas ao público pela primeira vez e revelou projetos que já impactam empresas em todo o Brasil
Uma pergunta que muitos goianos ainda fazem com estranheza está começando a ter uma resposta muito concreta: o que Goiânia tem a ver com inteligência artificial? A resposta, descoberta por quem passou pelo Flamboyant Hall na última sexta-feira, 12 de junho, é: muito mais do que a maioria imagina. O Ceia Open Day by AI Brasil reuniu pesquisadores, empresas, estudantes e profissionais no que foi a primeira vez que o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (Ceia-UFG) abriu suas portas para o público em geral. O evento faz parte do Conecta Ceia 2026, encontro anual da instituição, e integra o ecossistema do AI Brasil, plataforma que conecta conteúdo e comunidade para democratizar o uso da IA no país. A iniciativa marcou uma virada simbólica: saiu dos laboratórios para as ruas, mostrando que a pesquisa aplicada em inteligência artificial no Brasil tem endereço e resultado concreto.
O que é o Ceia-UFG e por que ele importa para o estado e para o país?
O Ceia-UFG é considerado uma das principais unidades da Embrapii no país e ocupa uma posição de destaque entre os centros de pesquisa aplicada em inteligência artificial da América Latina. A instituição é responsável, entre outros marcos, pelo primeiro curso de graduação em inteligência artificial do Brasil, sediado em Goiás. Além disso, o estado conta com legislação própria de incentivo ao desenvolvimento tecnológico na área, o que cria um ambiente regulatório favorável para empresas e startups que queiram operar neste mercado.
O Conecta Ceia 2026, que antecedeu o Open Day nos dias 10 e 11 de junho, reuniu pesquisadores e parceiros institucionais em sessões fechadas. Um dos destaques apresentados foi a Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial Aplicada, que nasceu como projeto-piloto em Goiás e, em 2026, alcançou abrangência nacional, ampliando o acesso de estudantes de diferentes estados ao universo da IA. Outro programa de impacto é o Epicentro da IA, desenvolvido em parceria com o Governo de Goiás, que selecionou dez startups em sua primeira edição, após receber 405 inscrições de empresas de 25 estados. Cada startup selecionada recebeu investimento de R$ 200 mil, totalizando R$ 2 milhões em recursos públicos direcionados para acelerar soluções tecnológicas com potencial de escala nacional, segundo a revista Zelo.
O que o Open Day revelou sobre o presente e o futuro da IA goiana?
Uma das atrações que mais chamou atenção no evento foi o futebol de robôs autônomos, demonstração prática de como sistemas de IA são capazes de tomar decisões em tempo real sem intervenção humana. A iniciativa funcionou também como metáfora do que o Ceia quer comunicar: que a inteligência artificial não é ficção científica nem exclusividade de grandes centros do Sudeste, mas uma realidade construída com pesquisa séria dentro das universidades brasileiras.
O co-CEO do AI Brasil, Rodrigo Righetti, explicou à imprensa que a programação foi estruturada para destacar como a IA brasileira vem sendo desenvolvida em universidades e centros de pesquisa antes de chegar ao mercado. O governador Daniel Vilela também anunciou durante o período do evento o programa GO.IA Gemini, que disponibilizará até 20 mil licenças da plataforma Gemini for Gov para servidores públicos do estado, integrando pacote de ações de transformação digital. A iniciativa coloca Goiás na vanguarda do uso institucional de IA no serviço público brasileiro.
Entre os dias 16 e 18 de junho, Goiânia sedia ainda o IX Workshop de Informação, Dados e Tecnologia (Widat), organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFG em parceria com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), com foco nos impactos da IA na sociedade e nas organizações. A capital goiana, em menos de duas semanas, reuniu dois grandes eventos nacionais de tecnologia, consolidando sua posição no mapa da inovação brasileira.
Fontes: O Popular | Diário de Goiás | Agência Goiás | UFG | Revista Zelo
Autor: Diego Rodríguez Velázquez





