Com Caiado na corrida presidencial, o atual governador enfrenta o desafio de se firmar como candidato próprio enquanto administra o estado e tenta construir uma coalizão mais ampla
A eleição para governador de Goiás em outubro de 2026 já tem um nome na dianteira, mas o caminho até o Palácio das Esmeraldas está longe de ser uma formalidade. Daniel Vilela, do MDB, assumiu o governo do estado em 31 de março após a desincompatibilização de Ronaldo Caiado, que deixou o cargo para disputar a Presidência da República pelo PSD. Ao herdar a máquina estadual, Vilela ganhou visibilidade e estrutura, mas também absorveu a responsabilidade de entregar resultados em menos de seis meses antes do primeiro turno. Pesquisa do instituto Gerp, realizada entre 6 e 10 de abril com 1.206 entrevistados, registrou entre 42% e 45% das intenções de voto para o atual governador no primeiro turno, enquanto levantamento da Genial/Quaest apontou liderança com pelo menos 12 pontos percentuais de vantagem sobre os demais pré-candidatos. A pergunta que os eleitores goianos ainda fazem é: ele consegue cruzar esse caminho sem perder terreno?
Quem disputa o governo de Goiás e como cada candidato tenta se posicionar?
Cinco nomes aparecem com consistência nas pesquisas e nos movimentos de bastidor. Marconi Perillo, do PSDB, tenta retomar espaço com o peso de ex-governador e com uma base histórica no interior do estado. Com 16,2% das intenções em Goiânia, segundo levantamento de março, ele é o principal nome da oposição, mas carrega também uma rejeição de 31%, a segunda maior entre os pré-candidatos, segundo a Gerp. Adriana Accorsi, do PT, busca consolidar uma candidatura alinhada ao governo federal, mas enfrenta rejeição ainda maior, de 39%, o que torna sua tarefa mais complexa em um estado com tradição política de centro-direita.
Wilder Morais, do PL, tenta canalizar o eleitorado bolsonarista do estado, enquanto Telemaco Brandão completa o quadro de pré-candidatos com posicionamento ainda em construção. O fato de o PSD de Caiado ter lançado Gracinha Caiado ao Senado como aposta prioritária revela a estratégia do grupo: não dividir forças na disputa estadual, concentrando apoio em Vilela para o executivo e garantindo uma cadeira no legislativo federal. As candidaturas precisam ser oficializadas até agosto, e o cenário ainda deve passar por novas movimentações nas próximas semanas.
O que o eleitor goiano deve monitorar até outubro?
O principal fator de incerteza da disputa é a relação entre Vilela e o legado de Caiado. A revista Goiás 24 Horas noticiou questionamentos sobre um rombo bilionário nas contas do estado, e a encruzilhada que se apresenta ao novo governador é clara: negar a situação fiscal herdada pode afastar aliados; reconhecê-la pode ser explorado pela oposição. A forma como Vilela conduzir essa questão nos próximos meses deve influenciar diretamente sua popularidade no interior do estado, onde os resultados da gestão são sentidos de forma mais imediata.
Outro elemento a observar é a relação entre a candidatura de Caiado à presidência e o impacto nos votos goianos para o governo estadual. Se o ex-governador tiver desempenho nacional expressivo, o palanque estadual se fortalece. Se a campanha federal de Caiado perder tração, a associação pode pesar negativamente para Vilela. O eleitor goiano terá até outubro para avaliar não apenas o que os candidatos prometem, mas o que o atual governo efetivamente entregou no curto mandato. A data do primeiro turno é 4 de outubro, com segundo turno previsto para 25 de outubro, caso nenhum candidato alcance maioria absoluta.
Fontes: Poder360 | Gazeta do Povo | Assembleia Legislativa de Goiás | Transmissão Política | Goiás 24 Horas
Autor: Diego Rodríguez Velázquez





