Aeronave monomotor carregava 342 quilos de drogas e foi incendiada pelo piloto em tentativa de apagar provas em fazenda no sudoeste goiano.
Um pouso de emergência numa propriedade rural de Itarumã, no sudoeste de Goiás, terminou com a prisão de um piloto suspeito de transportar drogas por via aérea. O caso foi registrado na noite de 15 de julho e mobilizou equipes terrestres e aéreas da Polícia Militar durante horas de buscas na região. Além do piloto, outras três pessoas, entre elas familiares que teriam viajado de Ribeirão Preto para tentar resgatá-lo, também acabaram detidas. O episódio reacende uma dúvida comum entre moradores do interior goiano: por que o estado se tornou passagem frequente para o tráfico aéreo de entorpecentes e o que costuma acontecer, na prática, com quem é flagrado nesse tipo de operação. Para entender o caso é preciso reconstituir como o pouso ocorreu, quem foi preso e o que diz a investigação conduzida agora pela Polícia Federal.
Como aconteceu o pouso forçado em Itarumã
O avião monomotor havia partido do Mato Grosso, de uma região próxima à fronteira com a Bolívia, com destino a Frutal, em Minas Gerais. No trajeto, a aeronave apresentou problemas mecânicos e o piloto não teve alternativa a não ser realizar um pouso forçado em uma propriedade rural do município de Itarumã, na manhã de 15 de julho. Segundo o relato da Polícia Militar, logo após a aterrissagem o piloto pediu que trabalhadores da fazenda o ajudassem a retirar a carga da aeronave e escondê-la em uma área de mata próxima. Um dos caseiros do local relatou posteriormente ter sido ameaçado durante essa etapa. Horas depois, o piloto ateou fogo ao próprio avião com um galão de combustível, numa tentativa de destruir vestígios da operação, e fugiu a pé para dentro da mata.
A fuga desencadeou uma ampla operação policial, que só terminou já na madrugada seguinte, quando o suspeito foi finalmente localizado. Participaram das buscas o Grupo de Radiopatrulha Aérea, o Batalhão Rural e o Batalhão Rodoviário da Polícia Militar de Goiás, combinando equipes terrestres e aéreas para cobrir a extensão de mata ao redor da propriedade. Ao final da ação, os policiais encontraram cerca de 342 quilos de droga distribuídos em sacolas na vegetação, sendo 281 quilos de cocaína e 61 quilos de crack. A apreensão é considerada volumosa para os padrões de ocorrências no interior do estado e reforçou a suspeita de que o carregamento tinha como destino final centros de distribuição fora de Goiás.
Quem é o piloto preso e o que diz a investigação
O piloto foi identificado como Henrique Donizeti Ferri, de 32 anos. Além dele, a Polícia Militar deteve o pai, a esposa e um amigo do suspeito, que teriam se deslocado de Ribeirão Preto, em São Paulo, com o objetivo de ajudá-lo a fugir da região. Um veículo Ford Ka usado pelo grupo nessa tentativa foi apreendido pelas equipes policiais. Todos os detidos foram encaminhados à sede da Polícia Federal em Jataí, órgão responsável por apurar a origem da aeronave, o destino final da carga e uma eventual rede de apoio mais ampla por trás da operação.
Na sexta-feira, 17 de julho, a Justiça de Goiás manteve a prisão preventiva do piloto, negando o pedido de liberdade apresentado pela defesa durante a audiência de custódia. A decisão converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e se baseou em fortes indícios de que Henrique estaria ligado a uma organização criminosa especializada no tráfico interestadual de drogas. O magistrado também considerou o risco de fuga, já demonstrado pela tentativa de escapar a pé pela mata, e a tentativa concreta de destruir provas ao incendiar a aeronave. O caso segue sob investigação, sem data definida para conclusão do inquérito.
O que esse caso revela sobre o tráfico aéreo em Goiás
A rota percorrida pela aeronave, que partiu de uma área próxima à fronteira boliviana no Mato Grosso rumo ao interior mineiro, ajuda a explicar por que o território goiano aparece com frequência em ocorrências desse tipo. O estado funciona como corredor natural entre regiões produtoras e de trânsito de drogas no Centro-Oeste e os grandes centros consumidores do Sudeste, o que torna pousos clandestinos em fazendas uma alternativa usada por organizações criminosas para driblar a fiscalização em rodovias e postos policiais. A resposta rápida das forças de segurança nesse episódio, unindo unidades terrestres e aéreas em poucas horas, foi apontada por autoridades como um fator decisivo para a prisão do piloto antes que ele conseguisse deixar a região.
O episódio também chama atenção para a logística que costuma envolver esse tipo de crime, como o deslocamento de familiares de outro estado para tentar resgatar o piloto e o uso de veículos de apoio previamente combinados. Esse tipo de estrutura sugere planejamento prévio e reforça, na avaliação de investigadores, a necessidade de vigilância contínua sobre pistas de pouso clandestinas e propriedades rurais isoladas no interior de Goiás.
O desfecho do caso em Itarumã deve seguir seu curso na Justiça, com a Polícia Federal ainda apurando detalhes sobre a rota completa da aeronave e a rede que sustentava a operação. Para a população da região, o episódio serve como lembrete de que fazendas isoladas continuam sendo alvo de pousos clandestinos ligados ao tráfico, o que exige atenção redobrada de moradores e produtores rurais. Novas informações sobre o andamento do inquérito e sobre eventuais outros envolvidos devem ser divulgadas nas próximas semanas, à medida que a Polícia Federal avança nas oitivas e na perícia do material apreendido.
Fontes consultadas: https://www.diariogoianiense.com.br/noticia/justica-de-goias-mantem-piloto-preso-por-trafico-de-cocaina-apos-pouso-forcado https://portal6.com.br/2026/07/16/policia-prende-piloto-de-aviao-carregado-com-drogas-apos-pouso-forcado-em-goias/ https://www1.jornalgoias.com.br/piloto-e-preso-apos-pouso-forcado-com-aeronave-carregada-de-drogas-em-goias/





