O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, coloca a continuidade como valor central de sua prática e do projeto que lidera. Afinal, a continuidade do cuidado é um dos princípios mais importantes e mais negligenciados na saúde do idoso. Consultas isoladas, atendimentos pontuais sem seguimento e orientações que nunca são verificadas na prática comprometem profundamente os resultados do cuidado geriátrico. Neste artigo, você vai entender por que a continuidade é tão determinante para a saúde do idoso e como ela se manifesta no modelo de atuação do Humaniza Sertão. Acompanhe!
Por que a continuidade do cuidado é tão importante para o idoso?
O envelhecimento é um processo dinâmico que muda constantemente. Isto é, as condições de saúde do idoso evoluem, os medicamentos precisam ser ajustados e novas vulnerabilidades surgem ao longo do tempo. Logo, um cuidado que não acompanha essas mudanças perde sua eficácia rapidamente e deixa o idoso exposto a riscos que um acompanhamento regular identificaria antes que se tornassem problemas sérios.
Yuri Silva Portela destaca que a relação de longo prazo entre médico e paciente é um dos ativos mais valiosos da medicina geriátrica. No momento em que o geriatra conhece profundamente a história clínica, os valores e o contexto de vida do idoso, suas decisões terapêuticas são qualitativamente superiores. Esse conhecimento acumulado ao longo de consultas regulares não tem substituto e é o que permite um cuidado verdadeiramente personalizado.
A continuidade também fortalece a confiança do paciente. Uma vez que o idoso sabe que pode contar com um profissional de referência ao longo do tempo sente-se mais seguro para relatar sintomas e mais disposto a seguir orientações, o que impacta diretamente nos resultados do tratamento.
Como o Humaniza Sertão garante continuidade em contexto de vulnerabilidade?
Um dos maiores desafios de projetos sociais em saúde é garantir continuidade para populações com acesso fragmentado aos serviços. O Humaniza Sertão enfrenta esse desafio por meio da regularidade de suas ações mensais e do acompanhamento dos casos identificados nas visitas anteriores.

De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, a cadência mensal foi escolhida estrategicamente para criar um ritmo de presença que as comunidades possam antecipar e confiar. Visto que cada nova ação retoma o que foi feito na anterior, pois verifica a evolução dos casos e ajusta as intervenções conforme necessário. Portanto, esse modelo produz resultados muito superiores aos de ações pontuais sem seguimento.
Além disso, a educação em saúde oferecida pelo projeto também contribui para a continuidade. Famílias que compreendem as condições dos idosos e sabem identificar sinais de alerta tornam-se extensões do trabalho da equipe no cotidiano das comunidades, mantendo o cuidado vivo entre uma visita e outra.
Como as famílias podem garantir continuidade no cuidado doméstico?
A continuidade do cuidado começa dentro de casa. Dado que famílias que mantêm rotinas de acompanhamento ao idoso, organizam os medicamentos, registram mudanças no estado de saúde e mantêm contato regular com o médico de referência são agentes fundamentais do cuidado geriátrico de qualidade.
Conforme destaca Yuri Silva Portela, manter um registro simples com informações sobre medicamentos em uso, consultas realizadas e orientações recebidas é uma prática acessível a qualquer família. Assim, essa documentação facilita as consultas, evita repetições desnecessárias e garante que informações importantes não se percam entre um atendimento e outro.
Cuidar de forma contínua é cuidar de verdade
O cuidado que verdadeiramente transforma a saúde do idoso é aquele que se mantém ao longo do tempo, que acompanha as mudanças e que está presente de forma consistente. A continuidade não é um detalhe do cuidado geriátrico. É sua espinha dorsal.
O modelo do doutor Yuri Silva Portela, tanto no consultório quanto no Humaniza Sertão, demonstra que a continuidade é possível mesmo em contextos desafiadores. O idoso merece um cuidado que não começa e termina em uma única consulta, mas que o acompanha em toda a sua jornada de envelhecimento.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez





