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Goiânia registra maior chuva de junho em 65 anos e capital amanheceu com rastro de destruição

Temporal atípico com granizo e ventos fortes no domingo (14) superou o recorde histórico que durava desde 1988, deixando alagamentos e estragos em vários bairros

A capital goiana vive um inverno fora do comum. Na noite do último domingo, 14 de junho, uma tempestade com granizo, raios e rajadas de vento castigou Goiânia de forma incomum para esta época do ano, registrando o maior volume de chuva para o mês de junho desde que o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) iniciou o monitoramento, em 1961. O bairro Jardim Guanabara, na região norte da cidade, mediu 64 milímetros de precipitação em apenas uma noite, derrubando o recorde que pertencia a 4 de junho de 1988, quando choveu 47,1 mm. Para se ter dimensão do fenômeno, a média histórica do mês inteiro de junho em Goiânia é de apenas 8,4 mm, segundo o Climatempo. Ou seja, a cidade recebeu em poucas horas o equivalente a mais de 500% do que normalmente chove em todo o mês. O fenômeno surpreendeu moradores, sobrecarregou o sistema de drenagem e acionou a Defesa Civil em vários pontos da capital.

Por que choveu em junho, um mês tipicamente seco no Centro-Oeste?

A explicação está no enfraquecimento de um bloqueio atmosférico que vinha impedindo o avanço de sistemas meteorológicos sobre Goiás. Segundo o meteorologista consultado pelo jornal O Hoje, com a perda de intensidade desse bloqueio, uma frente fria conseguiu avançar em direção ao estado e favorecer a formação das tempestades. A MetSul Meteorologia havia emitido alertas nos dias anteriores sobre a possibilidade de chuvas fortes com risco de temporais isolados, incluindo raios, ventos e granizo em pontos do estado, situação considerada raríssima para o período.

O fenômeno também conta com uma contribuição leve do El Niño. Especialistas apontam que, em anos marcados pela influência do fenômeno climático, podem ocorrer bloqueios atmosféricos sobre o Brasil Central que, quando se enfraquecem, liberam o caminho para frentes frias carregadas. Ainda assim, o volume registrado surpreendeu até os meteorologistas mais experientes. Em apenas duas horas, Goiânia acumulou mais chuva do que no trimestre de inverno inteiro, que historicamente registra uma média de 19,4 mm entre junho, julho e agosto somados. Há previsão de nova frente fria para o próximo fim de semana, o que levanta dúvida sobre se a capital enfrentará novos episódios de chuva intensa nas próximas semanas.

Quais foram os estragos e onde a cidade sentiu mais os efeitos?

Os danos foram espalhados por diferentes regiões da cidade. Vídeos registraram uma motocicleta sendo arrastada pela força da enxurrada em vias da capital. Parte do forro da Santa Casa de Goiânia cedeu após a intensidade das chuvas, episódio que expõe a vulnerabilidade da infraestrutura de saúde pública diante de fenômenos climáticos extremos. Alagamentos atingiram vias de diferentes bairros, comprometendo o tráfego e obrigando motoristas a desviar de percursos habituais.

A prefeita Mabel Caballero usou as redes sociais para pedir que os goianienses permanecessem em casa durante o pior momento da tempestade. A Defesa Civil foi acionada para atendimentos em diferentes pontos da cidade, e equipes municipais trabalharam ao longo da noite para desobstruir vias e escoar o volume de água acumulado. A situação reabriu um debate antigo sobre os sistemas de drenagem urbana da capital e a necessidade de obras preventivas que reduzam o impacto de eventos climáticos cada vez mais intensos e fora de época.

O que esperar para os próximos dias e como Goiânia pode se preparar?

A boa notícia imediata é que a terça-feira, 16 de junho, deve ter tempo mais aberto, com chuvas apenas localizadas e temperaturas máximas em torno de 27ºC na região metropolitana, segundo o Climatempo. A notícia que preocupa é que há previsão de nova frente fria para o próximo fim de semana, o que mantém a possibilidade de novos episódios de chuva no estado.

Para especialistas consultados pela imprensa goiana, o fenômeno desta semana é um sinal de que os eventos climáticos extremos no Brasil Central estão se tornando cada vez menos raros. Mesmo em meses historicamente secos, como junho, o risco de tempestades com impacto urbano significativo não pode mais ser descartado. A recomendação da Defesa Civil para os moradores é acompanhar os alertas meteorológicos, evitar córregos e áreas de alagamento em dias de chuva intensa e não arriscar travessias em vias com água corrente, mesmo que pareçam rasas.

O evento desta semana entrou para a história climatológica de Goiânia não apenas como um recorde numérico, mas como um alerta concreto para gestores públicos e moradores sobre a necessidade de adaptar a cidade a um clima que, claramente, já não segue mais os padrões que o inverno goiano sempre teve.

Fontes: Portal 6 | O Popular | MetSul Meteorologia | O Hoje | Climatempo

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Diego Velázquez

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