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O que realmente significa estar bem aos 90 anos? Confira com o Doutor Yuri Silva Portela

Yuri Silva PortelaYuri Silva Portela

Estar bem aos 90 anos não significa necessariamente chegar a essa idade sem doenças ou depender de resultados perfeitos em exames, destaca o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão. Nessa fase da vida, a saúde também pode ser compreendida pela capacidade de realizar atividades cotidianas, participar de decisões, manter vínculos e preservar o máximo possível de autonomia. Uma pessoa pode conviver com doenças crônicas controladas e continuar ativa, enquanto outra, com menos diagnósticos, pode apresentar limitações importantes na rotina.

Saiba mais a seguir!

Ter doenças significa necessariamente estar mal?

Aos 90 anos, é possível conviver com hipertensão, diabetes, alterações articulares ou outras condições crônicas e, ainda assim, manter uma rotina considerada satisfatória. O ponto central não está apenas na existência do diagnóstico, mas em seu controle, nas complicações associadas e no impacto que provoca sobre a vida cotidiana. Duas pessoas com a mesma doença podem apresentar níveis de independência muito diferentes, especialmente quando aspectos como mobilidade, cognição e capacidade de realizar tarefas permanecem preservados.

Essa perspectiva ajuda a explicar por que envelhecimento saudável não significa envelhecimento sem doenças. A própria compreensão contemporânea de saúde na velhice valoriza a capacidade funcional, isto é, as condições que permitem à pessoa realizar atividades importantes para seu bem-estar. Nesse sentido, preservar possibilidades concretas de viver e participar pode ser tão relevante quanto acompanhar indicadores clínicos, pois a saúde também se manifesta na maneira como o idoso consegue conduzir sua rotina.

Para o Doutor Yuri Silva Portela, esse olhar evita transformar o diagnóstico em uma definição da pessoa. Saber quais doenças estão presentes continua sendo essencial para orientar o acompanhamento, mas outra pergunta precisa entrar na avaliação: de que maneira essas condições interferem naquilo que aquele idoso deseja e consegue fazer? Essa análise permite considerar não apenas o quadro clínico, mas também seus efeitos reais sobre autonomia, participação e qualidade de vida.

O que a rotina revela sobre a saúde aos 90? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Atividades aparentemente simples oferecem informações importantes sobre funcionalidade. Conseguir levantar-se de uma cadeira, caminhar pela residência, tomar banho, vestir-se e alimentar-se são exemplos de tarefas básicas. Preparar uma refeição, administrar dinheiro, utilizar o telefone ou organizar medicamentos envolvem capacidades adicionais relacionadas à manutenção da independência.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Conforme o Doutor Yuri Silva Portela, isso não significa que precisar de ajuda em alguma dessas atividades determine, sozinho, uma condição ruim. Uma pessoa pode necessitar de apoio para determinadas tarefas e continuar participando das decisões sobre sua rotina. O grau de auxílio necessário e, principalmente, mudanças recentes na capacidade de realizar atividades ajudam a compreender melhor a situação individual.

Independência e autonomia são a mesma coisa?

Uma distinção importante está entre conseguir executar uma atividade sem auxílio e continuar tendo capacidade de participar das escolhas sobre a própria vida. Um idoso pode precisar de ajuda para tomar banho, preparar alimentos ou se deslocar e, ao mesmo tempo, conseguir expressar preferências, organizar aspectos da rotina e decidir sobre questões que lhe dizem respeito. A necessidade de suporte físico, portanto, não determina automaticamente uma perda da capacidade de participar das próprias decisões.

Confundir essas dimensões pode levar a uma retirada desnecessária de autonomia. Quando surge uma limitação física, familiares podem assumir progressivamente decisões que o idoso ainda conseguiria tomar. O auxílio, nesse caso, deixa de compensar uma dificuldade específica e começa a alcançar áreas nas quais a pessoa permanece capaz de exercer suas escolhas, reduzindo uma participação que poderia continuar sendo preservada no cotidiano.

Na perspectiva do Doutor Yuri Silva Portela, preservar autonomia também integra uma visão mais ampla do cuidado geriátrico. O objetivo não precisa ser exigir independência absoluta aos 90 anos, mas identificar quais capacidades permanecem disponíveis e como o ambiente e a rede de apoio podem favorecer sua utilização. Dessa maneira, o cuidado pode acompanhar as limitações existentes sem retirar antecipadamente possibilidades que continuam fazendo parte da vida do idoso.

Gerard Montier

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